De novo, Pascal: O Vazio do Neocities (Revisitado)

Publicado em 15/03/2026

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Blaise Pascal
"As ciências têm dois extremos que se tocam: o primeiro é a pura ignorância natural em que se acham todos os homens ao nascer; a outra extremidade é aquela a que chegam as grandes almas que, tendo percorrido tudo o que os homens podem saber, acham que não sabem nada e se tornam a encontrar nessa mesma ignorância de onde partiram. Mas, é uma ignorância sábia que se conhece. Aqueles dentre os que saíram da ignorância natural e não puderam chegar à outra têm alguma tintura dessa ciência suficiente, e fazem-se de entendidos. Esses perturbam o mundo e julgam mais mal de tudo que os outros."

— Blaise Pascal

O texto "O Vazio do Neocities", publicado em 09/05/2025, acho que deve ter pego de surpresa — para quem leu — o título falar uma coisa e o texto dizer outra. Explicando, para quem talvez não tenha entendido: na época (até hoje, na verdade), surgiu um fenômeno de começar a analisar o "vazio" em alguma obra, e que foi se desdobrando até procurar significados profundos em coisas que não são. De certa forma, a maioria é só forçação de barra. Basicamente é isso a explicação. Eu sempre tento colocar alguma ironia, geralmente no título.

Novamente, esse trecho de Pascal continua sendo relevante para descrever os "movimentos intelectuais", ou o que se aproxima deles, não só do YouTube, mas da internet num geral. Tenho dúvidas se a crítica seria diferente, já que antes eu partia de um princípio de uma "performance": pegar elementos ou frases que se fazem denotar alguma coisa e traçar linhas de uma suposta profundidade. De agora, talvez, seja alguém que ativamente "fica no meio", criando confusão e julgando as coisas mal.

Talvez deva ter uma correlação, mas o importante, ainda assim, é o resultado da confusão gerada — que não é difícil na situação atual. Dando o benefício da dúvida, talvez a confusão gere algum autoefeito, assim como ninguém está livre também. Mas o que fazer depois do "erro" intelectual é o que revela o caráter. São pessoas perigosas, que anunciam "pensamento livre e crítico", mas que, depois de uma "correção de rota", a reação muda completamente — o ataque às ideias chega a nível pessoal. Eles não defendem o que pregam, já que o rigor do pensamento não existe, somente o da opinião. Filodoxia.

A categoria mais perigosa, além dessa, mas que possui as mesmas características e pouco a mais, são os que ativamente distorcem e quebram termos para se encaixar na sua "doutrina" ou "narrativa" (como acharem melhor). Se a outra era inconsistente, essa é consciente de cada método usado, cada distorção, cada espantalho e todos os argumentum ad.

Isso é mais um aviso do que qualquer outra coisa: pensem sobre de onde vêm suas ideias, cuidado com cada linha lida de um texto — as intenções às vezes não são das melhores. Se quiser mesmo, para quem acha que não tem senso crítico e não quer ser cooptado, comece pelo autoexame do que tem na sua cabeça. Certamente tem coisas aí que não "são suas". E vá ler também, sempre procure na fonte. A internet está aí para isso.